Buscar
Logo Schwantes

Sobre a Plataforma

Origem, metodologia e relevância como base de indexação acadêmica dos estudos do adventismo no Brasil

O que é a Plataforma Schwantes e por que o adventismo como objeto de pesquisa

A confissão adventista do sétimo dia está presente no Brasil há mais de 150 anos, possuindo cerca de 1.487.429 de adeptos no país de acordo com o último Censo do IBGE no qual foram detalhados os dados dentro de cada grupo religioso (FERREIRA & PEREIRA, 2017).

Com um conjunto peculiar de crenças distintivas – entre elas a observância do sábado como dia de guarda, a perspectiva escatológica da volta literal de Jesus Cristo, a adoção de códigos dietético-sanitários que enfocam um estilo de vida saudável, e o papel profético dos escritos da cofundadora da denominação, Ellen G. White – a tradição adventista representa um recorte singular do cenário evangélico no Brasil.

Para além de suas crenças e igrejas, a inserção do adventismo no Brasil estende-se à área da saúde com hospitais e clínicas, à comunicação com editoras, gráficas, gravadoras, emissoras de rádio e TV e plataformas de streaming, ao setor alimentício através da produção de alimentos para regimes vegetarianos, e à educação, com algumas centenas de milhares de estudantes espalhados pelo Brasil em instituições que ofertam desde o ensino básico até o superior, incluindo aí regime de internato nos moldes de instituições confessionais norte-americanas.

Além dessa diversificada malha de instituições e frentes de atuação, a confissão adventista do sétimo dia no Brasil também apresenta um rico universo simbólico-cultural por meio de suas produções midiático-religiosas, como cantores(as), corais e grupos musicais, apresentadores de TV e influencers, e até personagens fictícios para o público infanto-juvenil criados há mais de 70 anos.

Essas são algumas das razões pelas quais o adventismo é objeto de investigação em estudos nos programas de mestrado e doutorado brasileiros, que ultrapassam os limites da teologia e da ciência da religião, fazendo-se presentes em áreas como enfermagem, administração, psicologia, saúde coletiva, arquitetura, música, direito, engenharia de sistemas computacionais, entre outras.

Diante disso, com esta base de indexação espera-se contribuir com a sistematização, organização e análise da produção de conhecimento relacionado à tradição adventista, cujo resultado seja a construção de um estado da arte do adventismo na academia brasileira. De igual modo, a presente plataforma busca dar visibilidade e legitimidade no Brasil ao campo de “estudos do adventismo” (em inglês, “Adventist Studies”) (PATRICK, 2009), área que apresenta um ecossistema consistente de pesquisadores, eventos e publicações, dentre as quais se destacam, entre outras, The Oxford Handbook of Seventh-day Adventism e Ellen Harmon White: American Prophet, ambas pela Oxford University Press.

A Plataforma Schwantes é, portanto, um serviço de indexação online que fornece auxilia a comunidade de pesquisadores que desenvolve trabalhos científicos com foco na tradição adventista.

Como foi criada a Plataforma Schwantes

A gênese da Plataforma Schwantes remonta à 2013, ocasião em que o professor Allan Novaes idealizou e coordenou um levantamento preliminar de dissertações e teses sobre o adventismo feito pelos alunos da disciplina “Monografia I” da pós-graduação lato sensu em Teologia Bíblica do Centro Universitário Adventista de São Paulo (Unasp). A ideia era criar um acervo com estudos sobre o adventismo por meio da coleta de trabalhos acadêmicos em programas stricto sensu reconhecidos pela Capes.

No ano seguinte, os dados coletados foram repassados aos então alunos do bacharelado em Teologia da mesma instituição – Leonardo Gubert e Ricardo Santana – que ampliaram o levantamento, em projeto de iniciação científica sob a supervisão do professor Rodrigo Follis, também com colaboração do Dr. Allan Novaes.

O resultado desse empreendimento foi a publicação, no início de 2016, do livro O adventismo na academia brasileira: um panorama do estado da arte (link) organizado pelos doutores Allan Novaes e Rodrigo Follis, lançado pela Unaspress, editora universitária do Unasp. Na obra, o levantamento consistiu em 106 dissertações e teses que tinham como objeto de investigação a confissão adventista defendidas entre 1972 e 2013.

No final de 2016, sob a orientação do Dr. Allan Novaes e do Prof. Bruno Ferreira, este último ligado à época ao Centro de Pesquisas Ellen G. White, Leonardo Gubert atualizou o levantamento feito no livro O adventismo na academia brasileira. Assim, Gubert apresentou os resultados da nova coleta em seu Trabalho de Conclusão de Curso, defendido na Faculdade de Teologia do Unasp com o título “Panorama dos trabalhos acadêmicos de stricto sensu sobre o adventismo de 1972-2015”.

Esses dois trabalhos de 2016 foram ponto-de-partida teórico-metodológico para que, em 2018, a ideia de criar uma base de indexação digital com dissertações e teses sobre a tradição adventista se tornasse meta institucional. Isso ocorreu através da recém-criada Pró-reitoria de Pesquisa e Desenvolvimento Institucional no Unasp, liderada pelo Dr. Allan Novaes, também diretor do projeto.

Em 2020 o Prof. Bruno Ferreira, coordenador do então Escritório de Apoio à Gestão de Dados e Métricas do Unasp, assumiu a coordenação técnica do projeto de criação da base de indexação. Com a ajuda do teólogo e analista de dados Jamphier Geyser Carhuatanta Gómez, a metodologia foi redefinida e a coleta de dados, refinada, ampliando as bases de dados consultada. O trabalho sofreu paralisação decorrentes do cenário pandêmico global em 2020 e retomado no ano seguinte, quando o nome da base de indexação foi escolhido e votado no Conselho Superior Universitário como Plataforma Schwantes, em homenagem ao Dr. Julio Siegfried Schwantes (1915 – 2008), cuja família, representada por sua filha Keila Schwantes, autorizou e agradeceu a homenagem.

A Plataforma Schwantes foi lançada em 2022, com um acervo composto por 239 dissertações e teses defendidas entre 1972 e 2020 em universidades brasileiras. Em 2023 a plataforma não recebeu mais atualizações, deixando de ser funcional em 2024. Em 2025 esforços da Pró-reitoria de Pesquisa e Desenvolvimento Institucional junto à Pró-reitoria de Gestão Integrada retomaram o projeto, reformulando-o e modernizando-o com auxílio de novos recursos tecnológicos, como o uso de Inteligência Artificial. Dessa forma, a Plataforma Schwantes foi relançada em 2026 com projeção de atualização anual do acervo, publicação de relatórios periódicos da Plataforma (Anuário Plataforma Schwantres) e divulgação de estudos e pesquisas sobre a confissão adventista por meio de eventos, como o Seminário Schwantes.

A plataforma está vinculada à Pró-reitoria de Pesquisa e Desenvolvimento Institucional do Unasp, mantida e atualizada por meio do Escritório de Apoio ao Pesquisador e à Assessoria de Pesquisa e Inovação, e recebe suporte do Mestrado Profissional em Promoção da Saúde, Mestrado Profissional e Doutorado Profissional em Educação, Mestrado Acadêmico de Teologia e Mestrado Profissional em Comunicação Social do Unasp. São também apoiadores da Plataforma Schwantes o Centro de Pesquisas Ellen G. White – Unasp, a Faculdade Adventista Paranaense (FAP), o Centro Universitário Adventista de Ensino do Nordeste (Uniaene), a Faculdade Adventista da Amazônia (FAAMA) e a Faculdade Adventista de Minas Gerais (FADMINAS).

A metodologia por trás da Plataforma Schwantes

Os serviços de indexação de recursos científicos possibilitam a organização e catalogação de informações sobre a produção científica, podendo ser concebido de diversas formas, tais quais: (a) bases de dados, (b) diretórios, (c) repositórios ou (d) portais (RIOS, 2017). A plataforma Schwantes caracteriza-se como uma fonte de dados presente na terceira camada do ciclo da produção científica online. Segundo Weitzel (2006), as camadas de fontes da produção científica são: “primária (publicações científicas online), secundárias (repositórios temáticos e institucionais) e terciárias (provedores de serviços)”.

As bases de indexação podem ser denominadas como “provedores de serviços [que] agrupam conteúdos de vários repositórios digitais, facilitando a busca otimizando o acesso ao texto completo.”

Os provedores de serviço de indexação podem buscar informações para criar seu catálogo de literatura científica de fontes primárias ou secundárias, dependendo de sua política de gestão de acervo. Essa busca se dá preferencialmente através de padrões definição de metadados tais como OAI-PMH. As políticas de curadoria implementadas por tais provedores de serviço, se restringem a definir como critérios de inclusão as obras contidas em um determinado repositório, ou em um determinado periódico científico, sendo indexado automaticamente todos os seus artigos internos. Como a finalidade da plataforma Schwantes é de ser um provedor de serviços de indexação apenas para teses e dissertações sobre o adventismo, faz-se necessário uma curadoria das obras que irão compor o acervo e não apenas a coleta automática de metadados de teses e dissertações nos repositórios institucionais das universidades brasileiras, bem como nos repositórios governamentais.

A curadoria das obras que compõem a plataforma Schwantes teve um processo de coleta e triagem de metadados em três ondas. A primeira onda de tratamento de metadados foi realizada entre março de 2013 a outubro de 2016 e seus resultados são apresentados por Novaes e Follis (2016) em formato de fichas seguindo o seguinte padrão: (a) referência bibliográfica - ABNT; (b) resumo dos trabalhos – conforme ou autores; (c) disponibilidade do arquivo pdf; (d) link para o arquivo no repositório institucional original.

A segunda onda de coleta e tratamento dos dados foi apresentada por Gubert (2017), com a expansão dos metadados para o seguinte padrão: (a) tipo de documento – dissertação ou tese; (b) área do conhecimento; (c) título; (d) autor; (e) região da instituição; (f) tipo de instituição: particular, pública ou confessional; (g) data da publicação; (h) abrangência da geografia do estudo; (i) DOI; (j) Link da fonte; (l) texto completo em PDF; (m) resumo; (n) palavras-chave; (o) base de dados; (p) ID do coletor; (q) estratégia de busca.

Os repositórios empregados nessa coleta foram: IBICT, TEDE, Sapientia, BDTD, RDBU, USP, Unicamp, Capes, PUC-SP, PUC-MG, PUC-GO, PUC-PE, PUC-RJ, PUC-RS, PUC-PR, Unida, FTBP, PPG-CR, UFJF, UFMG, UFES, UFBA, UFPR, Uninove, UEL, Umesp, Mackenzie, UFPA, EST, FAJE, Domínio Público e SciELO.

A estratégia de busca empregou os seguintes termos na pesquisa (e suas variações de grafia): (a) adventista, (b) adventismo, (c) Ellen G. White, (d) Casa Publicadora Brasileira, (e) Novo Tempo, (f) Superbom e (g) Centro de Vida Saudável (CEVISA).

A terceira onda de coleta e tratamento dos dados foi realizada pelo Escritório de apoio a gestão de Dados e Métricas, no ano de 2021 pelo pesquisador Jamphier Geyser Carhuatanta Gomez atualizando a busca dos trabalhos para os disponíveis até o ano de 2020 nos repositórios institucionais listados na segunda onda.

A quarta onda ocorreu na retomada da plataforma em 2025 e 2026, consistindo em um processo de automatização da coleta via inteligência artificial, ampliando a quantidade de trabalhos encontrados em repositórios institucionais.

Referências

FERREIRA, B. S. G.; PEREIRA, L. H. Questões Metodológicas sobre o adventismo nos dados de religião do censo 2010. In: Rodrigo Follis; Allan Novaes; Marcelo Dias. (Org.). Sociologia e Adventismo: Desafios brasileiros para a missão. 1ed.Engenheiro Coelho: UNASPRESS, 2015 , p. 102-107.

GUBERT, Leonardo. Panorama dos trabalhos acadêmicos de stricto sensu sobre o adventismo de 1972-2015. Engenheiro Coelho - UNASP, 2017.

NOVAES, A.; FOLLIS, R. (orgs.). O adventismo na academia brasileira: um panorama do estado da arte. Engenheiro Coelho: UNASPRESS, 2016.

PATRICK, Arthur. A brief, annotated introduction to the field of Adventist studies for higher degree students. Cooranbong: Avondale University, 2009.

RIOS, F. P. Critérios para indexação de periódicos científicos. Ciência Aberta: visão e contribuição, p. 49, 2017.

WEITZEL, S. R. O papel dos repositórios institucionais e temáticos na estrutura da produção científica. Em Questão, v. 12, n. 1, p. 51-71, 2006.

Instituto Adventista de Ensino © 2026 - Todos os direitos reservados. CNPJ: 43.586.056/0006-97